Princípios (leis) que regem o Inconsciente Familiar por Elaine Romano [Parte 4]

(...) As Constelações Familiares permitem que nós nos desvinculemos, psiquicamente, de nossos antepassados e de nossos registros primários.

 

Segundo Hellinger existem três leis ou princípios que regem o inconsciente familiar: Pertencimento, Equilíbrio nas Relações de Troca e Respeito Hierarquia ou Ordem de Chegada.

 

Ele reconheceu o Princípio do Pertencimento quando estava na África do Sul, onde vivenciava dinâmicas de grupo que eram realizadas com a população, na tentativa de evitar a guerra civil, pois vivenciavam, na época, o violento e agressivo regime de separação racial, o Apartheid.

 

Em uma destas dinâmicas de grupo perguntaram a Hellinger: “Se você tiver que escolher entre as pessoas e os valores morais, o que você escolhe?”. O psicoterapeuta sabia que tinha que escolher as pessoas, mas também sabia o que as pessoas eram capazes de fazer caso não concordassem com um ponto de vista de um grupo. Eram capazes de matar uma as outras, e era exatamente isto que acontecia em relação ao Nazismo e ao Apartheid.

 

Observou ainda que, se as pessoas, quando concordam com o ponto de vista de um grupo, sentem-se pertencentes, ficam de consciência leve, e, se não concordam, sentem-se mal, ficam de consciência pesada, se excluem e são excluídas do grupo.

 

Tomemos um exemplo de uma Constelação Familiar onde o tema era raiva de homens que uma cliente sentia e não havia nenhum motivo aparente que justificasse tal sentimento.

 

Abrindo-se o campo da Constelação, o bloqueio e causas dos chamados auto-boicotes que estão no inconsciente vêm à tona, ou seja, vêm à consciência, lembrando que nós só podemos ressignificar aquilo que conhecemos e temos consciência. Percebeu-se, então, que a cliente estava vinculada da avó, cujo marido tinha duas famílias. Na época em que a avó viveu, ela não podia se separar. Uma mulher separada era mal vista, também não poderia trabalhar fora, para a sociedade da época, não existia emprego para mulheres. Então, como se separar e trabalhar para sustentar a si mesma e aos filhos? Não tinha opção, ela tinha que permanecer casada, aguentar as traições do marido e aguentar, também, a raiva que sentia desta situação à qual estava submetida.

 

Bert Hellinger percebeu, em seus estudos, que nada nem ninguém pode ser excluído do campo mórfico familiar, nem mesmo um sentimento, no caso, a raiva. “Pertencer à nossa família é a nossa necessidade básica. Esse vínculo é o nosso desejo mais profundo. A necessidade de pertencer vai além até mesmo na nossa necessidade de sobreviver. Isso significa que estamos dispostos a sacrificar e entregar nossa vida pela necessidade de pertencer a ela.” Hellinger, B.

 

Nesta constelação, vê-se que a neta repete, então, o padrão da avó, sentindo raiva de homens e atraindo homens infiéis para sua vida. Inconscientemente, a neta tenta resolver a situação ou se solidarizar com a avó, a qual não teve sucesso em sua vida amorosa. É como se, inconscientemente, ela dissesse à avó: “Por amor a você eu me solidarizo e também não tenho sucesso com os homens”, como se a cliente quisesse dividir a dor da antepassada com ela, na tentativa de amenizar os sofrimentos.

 

Nos movimentos de cura promovidos pela Constelação Familiar, a cliente pode perceber que este, infelizmente, era o destino da avó, e que não adiantava repetir o padrão, isso não aliviaria a dor de sua antepassada. É o que Hellinger chamou de “O amor que adoece.”. Na verdade, tudo que todos antepassados desejam aos seus descendentes é que estes sejam bem-sucedidos, melhores do que eles mesmos puderam ser.

 

Quando a neta percebeu que estava honrando a avó, na dor, a cliente pode se libertar deste padrão e honrar a avó com sucesso amoroso. Este é chamado “O amor que cura.” (...)

 

ROMANO, E. (Diálogos Interdisciplinares) 24-26 pp. Revista Psicologia – Especial Constelação Familiar, Editora Mythos, 2016.

 

 

 

Compartilhe no Facebook
Compartilhe no Twitter
Please reload